Fausto Silva | Adega de Cartaxo – História e Evolução da Sub-Região

Cartaxo

Fausto Silva | Adega de Cartaxo – História e Evolução da Sub-Região

A Adega Cooperativa de Cartaxo assenta os seus valore na premissa “O sabor do tempo bem passado” e ambiciona nos seus esforços diários ser uma companhia de referência no setor, com uma atitude de respeito e sustento pelo meio envolvente. A empresa é cliente da HMW e pelas palavras de Fausto Silva, Diretor Geral da Adega há mais de 25 anos, faz-se uma construção da linha cronológica da história e evolução da região do Tejo, em particular a sub-região do Cartaxo.

 

Como é que tem sido a evolução da região?

Fausto SilvaA actividade de produção vitivinícola nesta região do Cartaxo, perde-se no tempo, constando (de acordo com algumas referências históricas) que tenha começado há cerca de 3.000 anos com o povo Tártaro que aqui se fixou e uma vez que já tinha tradição nas práticas vinícolas, aqui as desenvolveu e colocou em prática. Mais tarde, vieram os Fenícios e depois os Romanos que incrementaram e aperfeiçoaram as práticas desta nobre actividade na região.

Ao longo das diferentes épocas históricas, a actividade vitivinícola esteve sempre presente na região com um forte impacto económico e social para as suas gentes. Sendo por isso, referencialmente aceite por todos como a principal actividade agrícola e económica da região ao longo da história de Portugal, sendo inclusivamente referenciada em obras de literatura, nomeadamente por Almeida Garrett, na obra “Viagens na Minha Terra”.

Já no século XX a região do Cartaxo era provavelmente a principal região fornecedora de vinhos da Grande Lisboa, bem como, das colónias portuguesas em África e na Ásia. O apogeu da notoriedade da Região aconteceu até à década de 60 do século XX e foi tal o seu peso no referencial da quantidade e principalmente da qualidade produzidas na região, que ainda hoje, quando se fala em CARTAXO, se associa logo o nome ao vinho.

Já na década de 70, fruto de uma alteração estratégica na produção, onde se privilegiou mais o volume da produção que o diferencial qualitativo, na generalidade, a qualidade média da região acabou por ser penalizada, afectando de forma crítica a referência e a imagem de qualidade da região. No entanto, no final da década de 80 e início da década de 90 e na sequência de um forte sentimento de necessidade de mudança dos principais produtores de vinho da Região do Cartaxo, criou-se a Comissão Vitivinícola do Cartaxo e deu-se início a um processo histórico de redefinição estratégica e de pensar o negócio da actividade vitivinícola através de reconversões das vinhas visando a qualidade em detrimento da quantidade. Iniciando-se assim um novo processo de reestruturação estratégica para a actividade vitivinícola do Cartaxo. Assim, durante a década de 90, alguns dos produtores orientados para a quantidade descontinuaram a actividade aproveitando os subsídios para o abandono da vinha. A outra parte, decidiu continuar, reinventando-se em muitos dos casos e reestruturar-se, quer nas vinhas quer na modernização tecnológica. Foi o caso da Adega Cooperativa do Cartaxo, que incentivou o seus associados a reestruturarem as suas vinhas (sempre que necessário) visando o crescimento qualitativo das uvas produzidas e posteriormente recepcionadas pela Adega, visando a obtenção de mais qualidade na matéria prima, a qual é mais valorizada no pagamento e por consequência, permite produzir vinhos de mais qualidade, o que tem vindo a acontecer pelo reconhecimento do mercado nacional e dos vários mercados internacionais onde os vinhos da Adega do Cartaxo e de outros produtores da região estão presentes.

A Adega do Cartaxo é o maior produtor da região, produzindo mais de 9 milhões de litros por ano, com cerca de 80% de vinhos tintos e fruto da qualidade das uvas fornecidas pelos seus associados e dos enormes investimentos que a Adega do Cartaxo realizou para a dotar da melhor tecnologia para a produção de vinhos de excelência, conta anualmente com dezenas de prémios de ouro e prata nos principais concursos internacionais de vinhos.

A Sub-Região do Cartaxo que inclui o Concelho de Cartaxo e parte do Concelho da Azambuja e que por sua vez é contemplada com um Terroir de características únicas de de excelência, permite a produção de vinhos encorpados e ao mesmo tempo equilibrados e com elegância, de boa frescura e taninos redondos, evidenciando o seu carácter único.

 

Fausto Silva, Diretor Geral

Adega Cooperativa do Cartaxo