António Luís Cerdeira – Soalheiro

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António Luís Cerdeira – Soalheiro

Monção e Melgaço já era a Origem do Alvarinho mesmo antes de ser reconhecida como tal. Nunca um vinho viu o seu reconhecimento nascer por decreto ou papel escrito, o caminho foi sempre o de surgir com qualidade e diferenciação, aliando um saber próprio a condições naturais únicas, sendo depois defendido através de cadernos de encargos mais ou menos fechados e rigorosos. O princípio é que a individualidade local deve sempre ser protegida em detrimento da comunicação globalizante e de tendência uniformizadora. A diferenciação do Azal da Lixa, do Loureiro do Lima, do tinto de Amarante ou do Alvarinho de Monção e Melgaço já se fazia notar antes da proteção que os regulamenta, mas não era tão facilmente reconhecida.

 

Essa diferenciação tem vários níveis, que não se excluem. Um exemplo concreto, que vou usar porque é o que conheço melhor, é o Soalheiro, a nossa marca de família, que queremos única e diferenciada, sendo Vinho Português, Vinho Verde e Vinho Alvarinho de Monção e Melgaço. Um conjunto de pontos de identidade do território que nos define e que é demarcado desde que há memória: partindo do ponto mais a norte de Portugal, sempre abrigado pelo Parque Nacional Peneda-Gerês, estende-se pela margem esquerda do rio Minho, com a Galiza e as encostas do Albariño do lado de lá, até ao Monte do Faro, que o protege da influência atlântica. A natureza demarcou este lugar desde sempre, aqueles que o trabalharam fizeram crescer a casta que nele reina numa casa que parece ter sido feita à medida. Foi neste vale e suas encostas, em Monção e Melgaço, que teve origem o Alvarinho.

 

Este território é também a gente que nele vive, que trabalha a natureza com o devido respeito pela sustentabilidade, próprio dos saberes que passam de geração em geração. É um conjunto de paixões e de fatores naturais que fazem a diferença dos vinhos que aqui marcam o ritmo de cada dia e que acumulam reconhecimento nacional e internacional. Como a afirmação vem sempre antes da regulamentação, chegou o tempo de sonhar com uma origem demarcada e controlada dentro da grande família que são os Vinhos Verdes: Monção e Melgaço – Denominação de Origem Controlada. Este sonho é legítimo, não só para Monção e Melgaço, mas para todos os territórios que, não querendo rejeitar origens mais abrangentes, querem sublinhar uma natureza e um saber singulares.